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Um Conto Sobre a Dor Guardada - parte 7

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Não que ela esperasse algo diferente. Mas a mensagem a Francisco ainda ecoava no vazio. Bravo estava limpo. Alimentado. As feridas tratadas.   A mãe desejava permanecer ali, velando o sono do filho. A vendedora de batatinhas sentia falta da calçada.   A provedora de si própria necessitava trabalhar.   Com tempestade ou nos dias de sol escaldante, Dora nunca deixava de ir. E quando chegou com o carrinho, ainda que estivesse ausente um dia apenas, a sensação era a de que esteve longe e precisava atualizar-se.   Viu Nazaré chegar e abrir a banca de revistas. Depois foi até Dora.   — Bravo? — Sim…   — Francisco?   — Não. — o “não” foi seco. Como quem encerra o assunto.   Nazaré permitiu um instante de silêncio. Então falou: — Socorro está na UPA.   — O de sempre? — Ela se referia à bebida. — Não. Facada. No meio da tarde de ontem. Disputa com o Virado pela cachaça. Ele foi preso.   — Como ela está? — Não sei. No almoço vou lá. Socorro na UPA...